
imagem retirada na net
Sou mulher e envelheço devagarinho
A noite cai e eu choro baixinho
A pele outrora jovem e quente
É agora mais morna, rugosa, dormente
Sinto saudades de um corpo sentir
De ver uns lábios vermelhos sorrir
Senti-los nos meus, doces, carnudos
Os nossos corpos juntos, desnudos
A falta que faz um abraço apertado
Uma carícia suave, um gesto ousado
Falta de ouvir palavras sussurradas
Nos meus ouvidos carícias murmuradas
O tempo passa depressa, maldoso
Sinto meu corpo tremendo, saudoso
De uma noite de amor apaixonada
Na pele já velha sentir-me amada
É noite escura e eu choro baixinho
Tenho saudades de ter um carinho
Nas minhas mãos a pele mirrada
A lembrar-me que sou mal amada
Sou mulher e envelheço devagarinho
Fecho os olhos, adormeço de mansinho
No sonho sou a dona do meu sentir
Sonho que sou jovem e volto a sorrir...

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Quando disse à minha filha que no próximo fim-de-semana vou a Lisboa e acrescentei a palavra sozinha, ficou com uma trombinha de elefante! Que foi Ana? Nada. Que foi Ana? Nada. Nada e estás com essa cara? Nunca me levas contigo. Eu só fui uma vez a Lisboa! Ela já foi mais vezes a Lisboa, já foi a quase todo o lado que eu fui. Só não a levei a Londres, porque era a minha primeira viagem. Aos trinta e três anos nunca tinha andado de avião. Fomos fazer uma viagem de irmãs, era portanto uma viagem de adultos. Mas ela amuou e só ficou mais animada quando lhe disse que íamos à Serra da Estrela em Dezembro e que, se tudo correr bem, vamos juntar dinheiro para viajar para uma cidade da Europa no próximo ano. Ela pensou logo em Paris! Sim, porque ela tem uma fixação qualquer por Paris! Os planos dela são sair de casa aí pelos vinte anos e ir estudar em Paris! Já diz isso há muito tempo! Eu rio-me e não acredito, pelo menos para já não quero acreditar que possa ser verdade! Isto leva-me sempre ao mesmo pensamento: também gostaria ainda de conhecer mundo, de viver noutros lugares, de conhecer outras culturas. E tantas e tantas vezes que dou comigo a pensar que já não terei tempo para fazer tudo o que gostaria de fazer… Os anos passam, vou ficando mais velha, vou tendo mais responsabilidade, mais raízes aqui. Há tanto por fazer, sítios diferentes onde morar, tantas peças de teatro para ver, tantos livros que vão ficar por ler… custa-me conformar-me que estou a envelhecer e que o tempo se esgota a cada instante. Que tudo o que não fiz ficará por fazer e tudo que penso fazer mas não puder fazer ficará por fazer. Custa-me pensar que cabem mais sonhos na minha cabeça do que aqueles que algum dia poderei realizar.
Creio que estou mesmo a envelhecer. Ninguém jovem pensa nestas coisas. Afinal os cabelos brancos que aqui e ali teimam em aparecer estão a aparecer na altura certa. E estas dores nas costas que sinto e o cansaço que me moí o corpo não são apenas do trabalho intenso. Não foi a natureza que se enganou. Estou mesmo a envelhecer de corpo e alma… mesmo que me custe a acreditar…

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…estou velha. Ontem fui experimentar fazer uma aula de yoga e estou completamente, totalmente, absolutamente, enferrujada. O corpo não dobra, não obedece. Na verdade eu achei que o tempo não haveria de passar e eu continuaria sempre com a mesma energia, força e agilidade dos 20 anos… e agora a verdade caiu sobre a minha cabeça. Estou velha!!!
Mas gostei de ter feito a aula. Estava mesmo a precisar e penso em continuar a fazer, pelo menos de vez em quando. Alem de fazer bem ao corpo também faz bem à alma. A parte de relaxamento do corpo e da mente é fantástica. Consegue-se mesmo chegar a um ponto de serenidade absoluta. Quase flutuamos!
Como foi apenas a primeira vez que fiz aulas de yoga ainda não tenho opinião formada sobre a modalidade, mas quem faz diz que funciona mesmo. Que melhora o dia a dia. E de certeza que é verdade, porque apesar de todos os movimentos serem feitos devagar, obrigam a mexer todos os músculos e tendões do corpo. Alem disso os exercícios de respiração são óptimos para no dia a dia controlar a ansiedade, o stress do trabalho e dos problemas da vida.
Nota positiva para a aula!!
Mganolia velhota, velhota…:)

Outras IDEIAS minhas
Ideias de outros que eu gosto de ler
- As conversas são como as cerejas
- As palavras que nunca te direi