Falar sobre tudo e mais alguma coisa

Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009
Votos de ...

 

 

É o meu desejo sincero para todos neste Natal. E não importa se acreditam ou não em Jesus, no Pai Natal ou no significado do dia. Aproveitem para estar com a familia, para mimar os amigos, para serem um pouco felizes!

 

Um beijinho de chocolate:)


sinto-me: :)
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publicado por magnolia às 10:39
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008
Memorias da minha infância II

 

Lembro-me de colocar o sapatinho debaixo da árvore e de esperar tão ansiosamente pela manhã do dia 25 de Dezembro que mal conseguia adormecer. Na minha casa não havia pai natal, era o menino Jesus que nos trazia prendinhas se nos portássemos bem durante o ano inteiro. O menino estava atento e na madrugada do dia de Natal, deixava debaixo da árvore os presentinhos tão aguardados. Fui filha única durante 6 anos, depois as manas foram chegando e a alegria triplicou! Durante algum tempo éramos três a acordar por voltas das três da manhã, ainda nem os galos tinham cantado, correr para o pinheiro e abrir presentes e comer chocolates! Era certo que também a essa hora os meus pais deixavam de poder dormir, porque íamos as três experimentar panelinhas e bonequinhas para cima da cama deles. As vezes ainda dormíamos um bocadinho mais, outras nem por isso.

No dia 25 tínhamos sempre uma roupinha nova para estrear e íamos todas à missa do dia como se fosse Domingo. O presépio da igreja desviava-me sempre a atenção de tudo o resto, o menino Jesus, os seu pais, as ovelhinhas, o lago com água em movimento. Era tudo tão bonito! Depois do tradicional beijo no menino Jesus, que o padre limpava cerimoniosamente depois de cada beijo, íamos para casa tomar o pequeno-almoço onde não faltavam os bolinhos de cenoura, sonhos e pão-de-ló.

Naquele dia a velha televisão passava filmes de Natal onde a magia do Natal era rainha e nos fazia sonhar. Depois vinha a noite e íamos dormir e nessa noite já sonhávamos com o próximo Natal…

 

 

 

 

 

 

 


sinto-me: nostálgica

publicado por magnolia às 17:14
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Agradecimento de Natal

 

Não são muitas as vezes que olhamos para as coisas boas e as agradecemos. Muitas vezes não temos tempo nem paciência para olhar em volta. Neste Natal quero agradecer o amor, a amizade, o carinho que família e amigos me devotam. Quero agradecer os presentes, a comida, a roupa, a casa, todas as coisas que tenho a sorte de poder ir pagando com a saúde que tenho a sorte de ir tendo.

Neste Natal quero agradecer os sorrisos das nossas crianças e de todas em geral. Quero também agradecer por ter uma família que amo, amigos a quem tenho muita amizade. Neste Natal quero agradecer a Vida.

 

Quero agradecer aqui publicamente às minhas irmãs que no papel de Mães Natal, me ofereceram a máquina fotográfica que eu tinha pedido aqui por brincadeira. Elas sabiam que era uma coisa que eu gostava de ter e ainda não tinha podido comprar e por isso resolveram juntar-se para ma oferecer. Foi uma forma de me dizerem o que quanto gostam de mim. Se calhar não tanto pelo presente, mas pela lembrança de me fazerem um gosto, por me quererem ver feliz, pela amizade e carinho que sei que me têm. Andaram dias e dias a pensar e a planear e eu sem suspeitar sequer…tanto não suspeitava que nem lhes comprei nada para retribuir. Por tudo isto, muito obrigada maninhas. Sei que sabem, mas eu reforço, gosto muito de vocês, são e serão sempre das pessoas mais importantes da minha vida. Mesmo com diferença de idade, personalidade, opiniões, não imagino a minha vida sem vocês. São e serão sempre as minhas melhores amigas, confidentes e companheiras na vida. Para vocês deixo aqui um abraço do tamanho do mundo.

 

E pronto, passou mais um Natal…para o ano há mais, e só espero que seja tão bom como foi este…

 

 


sinto-me: agradecida

publicado por magnolia às 11:44
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008
Feliz Natal!!!

 

 

Antes que se vão todos embora...

 

....deixo aqui os meus votos de FELIZ NATAL para todos!!!


sinto-me: Natalicia (existe??)
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publicado por magnolia às 18:03
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Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008
Conto de Natal

imagem da net

 

 

Já estavam todos reunidos para ceia de Natal. Ele na cabeceira da mesa, a esposa andava ainda aos saltinhos da cozinha para a sala e da sala para a cozinha trazendo comida. Os filhos João e Joana estavam sentados do lado direito da mesa. Em frente os respectivos pares Maria  e Miguel. Na frente dele os dois netinhos maravilhosos riam-se de tudo e de nada, dizendo patetices como só os meninos pequeninos conseguem dizer. Na mesa tinham imensa comida, um bom vinho para acompanhar e no final teriam sobremesas deliciosas prepradas durantes o dia pela prestável e carihosa esposa.

Sentia-se feliz. Já tinha esquecido o incidente com o mendigo que se acercara dele de tarde à saida da fabrica. Os negocios tinham corrido lindamente nesse dia, fizera um negócio que renderia bastante dinheiro e vinha ainda a sorrir qando tropeçou literalmente naquele ser maltrapilho. Vadios, pensou. Não sabem fazer mais nada senão pedir. O homem ainda se tinha tentado agarrar ao casaco dele, mas sacudiu-o ferozmente. Ainda por cima cheirava terrivelmente mal. Há muito que estes mendigos rondavam por ali. Se ainda fossem pobres verdadeiros como os que morrem de fome em África, mas  aqui não há necessidade nenhuma disso. Têm bom corpo para trabalhar, dizia sempre ele.

- Senhor, não tenho casa nem familia...vivo aqui na rua....ajude-me por favor...

Virou-lhe as costas ostensivamente e foi para casa. A familia já o esperava para a ceia e na verdade ele estava mesmo muito ansioso por este Natal. Tinha comprado toda a lista de presentes para os miudos e estava ansioso por ver a reacção deles. Tinham sido coisas caras, mas tinha dinheiro e não poupou esforços para lhes agradar. Aos filhos reservara supresas na empresa...

- Querido, serve-te!

Acordou do devaneio e serviu-se da bela posta de bacalhau, que cheirava deliciosamente bem. Todos comiam com satisfação, riam e brincavam. Um disco enchia o ar com uma melodia de Natal. As luzinhas do pinheiro de Natal brilhavam, parecendo estrelas pequeninas.

Estava assim há algum tempo em contemplação, vaidoso por ter uma familia bonita e orgulhoso por ter dinheiro para a sustentar. Fechou os seus olhos por momentos para absorver aquela sensação. E voltou-os a abrir.

o espanto estampado no rosto, um grito entalado na garganta. Estava sentado na berma do passeio em frente à sua fabrica. Tremia de frio e doi-lhe o corpo todo. O cheiro nauseabundo chegou-lhe às narinas. Era o seu proprio cheiro. As mãos sujas e geladas doiam-lhe tanto como se estivessem a ser cortadas por mil facas. Tentou levantar-se mas as costas nao se endireitavam. Descobriu que as tinha tortas.

Tantas perguntas....

Caminhou a custo pela rua até que viu uma janela iluminada. O estômago contraido pela fome, um gosto fraco na boca colada. Já não se le lembrava há quantas horas estava ali sozinho. Quando chegou à janela viu que era a sua janela e estavam todos a jantar.  A lareira continuava acesa. Que vontade imensa de ir lá aquecer as mãos... Um homem estava sentado no seu lugar. Um homem que ele nao reconheceu.

Mas o que se teria passado? Tantas perguntas sem resposta...

Bateu à porta. O homem que vira sentado na mesa veio abrir.

-Vá-se embora. Não queremos cá pedintes.

Ele ainda tentou argumentar, mas já lhe tinham fechado a porta na cara. As lagrimas cairam-lhe pelo rosto. Não saberia suportar uma vida inteira assim, cheio de fome, de frio. Cheio de dores e cansaço, sentia que não teria capacidades sequer para pegar numa vassoura para varrer uma fábrica. Voltou para o seu velho cobertor. Enroscou-se bem, mas o estomago vazio nao o deixava dormir. Tiritava. Olhou para o céu e umas coisinhas brancas desciam devagar até pousar no chão. Nevava. Era noite de Natal e estava sozinho no mundo. Rejeitado e abandonado.

Pareciam que tinham passado muitas horas, parecia que aquela noite não tinha fim... Pensou no mendigo que enxotara e sentiu-se de repente com um nó no estomago, mas já não era fome, era arrependimento, era vergonha por ter julgado mal as pessoas. Era um sentimento indescritivel de amargura por saber que tinha tanto e outros nao tinham nada. Por saber que era feliz e nunca ajudara ninguem a sê-lo. Agora compreendia o quanto dói nao ter familia, nao ter amigos, nao ter apoio, ser doente, te fome, ter dores...

Foi nesse momento que viu um velho caminhar na direcção dele. Lembrava um pouco os druidas das historias dos elfos. Sentou-se à frente dele e disse:

-Feliz Natal para ti meu amigo... Creio que esta noite aprendeste uma lição...

As lagrimas toldaram-lhe os olhos e o homem desvaneceu-se na sua frente. Aos poucos as lágrimas eram tantas que nada conseguia ver...

- Pai! Pai! Que tens? Que sentes? Fala connosco pai...

Olhou-os quase sem ver. Estava de novo com a sua familia.

Saiu pela porta perante o olhar atónito de todos e voltou algum tempo depois com um mendigo.

Deixou-o aquecer-se um pouco, tomar banho e sentar na mesa com o resto da familia.

O homem mendigo chorava agradecido.

O homem rico chorava agradecido.

 

 

 

Texto de ficção escrito para a Fábrica de Histórias por Cláudia Moreira

 

 

 

 

 

 

 



publicado por magnolia às 00:20
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008
E foi assim...

imagem retirada da net

 

Íamos as duas de mãos dadas, saltitando felizes pelos passeios das ruas iluminadas para o Natal, vendo montras e chilreando como passarinhos na Primavera.

- Mãe! Olha que camisola tão linda!!

- Mãe! Posso ter aquela boneca? É tão linda!

- Vamos ver filha, vamos ver…

- Mãe! E aquele carrinho de chá?

Eu ria-me. E ela também. Tantos pedidos! Tantos desejos! Os olhos dela brilhavam de felicidade inocente.

- Olha! Olha! Olha! – Largou-me da mão e correu a colar o nariz no vidro da montra dos brinquedos. Um enorme comboio colorido corria pelos carris em miniatura deitando fumo pela pequenina chaminé. Que delicia.

Foi nesse momento que várias pessoas se meteram entre nós e deixei de a ver por escassos segundos. Apressei-me na direcção dela, mas quando cheguei ao pé do vidro já não a vi. O meu coração deu um salto e um grito ficou sufocado na minha garganta. Olhei para um lado e para o outro e via-a dobrar a esquina. Corri atrás e vejo-a a olhar para um menino de pé descalço e ranho no nariz que a olhava também. Ia para ralhar pois ainda não estava refeita do susto, mas fiquei a ouvir, protegida pela sombra da noite.

- Estás descalço? Não tens frio?

- Tenho...mas não tenho sapatos.

- Não tens sapatos? – a voz dela mostrava a surpresa que essa informação lhe causava.

- Não, não tenho. O meu pai é doente e não trabalha e a minha mãe também não. Está desempregada.

- Isso quer dizer que não vais ter presentes de Natal?

- Nunca tive nenhum. Às vezes o meu pai trazia uns brinquedos usados da casa de uns tipos ricos e dáva-nos. E roupas também. Mas agora não sai de casa e a minha mãe bebe muito.

A minha filha estava de lágrima no olho, pude perceber pelo tremer da sua vozinha de criança.

- Vou pedir à minha mãe para te dar um presente...

- Achas que ela faria isso? – a ansiedade na voz do rapazinho fez-me sentir um aperto no peito. E se fossem os meus filhos?

- Claro que sim. Eu peço coisas e ela dá-me, por isso se pedir para ti ela também vai dar!

Neste momento aproximei-me e pedi ao rapazinho que me levasse até casa deles. Dei a mão à minha filha e fomos andando por becos escuros e ruas sujas, bem diferente da rua de onde tinhamos vindo, cheia de luzes e pessoas bonitas e bem vestidas.

Entramos numa casa muito pobre. Lá dentro um homem estava numa cadeira de rodas e uma mulher estava caida no sofá a dormir. Duas crianças pequenas choravam num berço que já não era novo há muito tempo...

As lágrimas vieram-me aos olhos e ao olhar para a minha filha que ainda não tinha completado dez anos, vi que também ela chorava.

- Mãe...quero dar as minhas prendas todas a estes meninos...

Acariciei os seus cabelos e sorri entre lágrimas com tanta generosidade.

- A mãe vai resolver isto, não te preocupes.

Ainda antes do dia de Natal a mãe do rapazinho de pé descalço estava a trabalhar e tinham roupa suficiente para o Inverno todo. Montamos uma arvore de Natal e enchemos a despensa para um mês inteiro. No dia de natal fizemos questão de convidar esta familia para jantar na nossa casa.

Via-se que estavam felizes. Às vezes dar a mão a alguém pode fazer toda a diferença. A esta familia fez diferença e a nós não fez diferença nenhuma, ter mais um presente ou mais um pouco de comida na mesa. Repartimos o que tinhamos e tambem nós sentimos o nosso coração cheio de alegria.

Esta história já aconteceu há muitos anos, mas é uma história que se repete ano após anos. Eu e minha familia prometemos que enquanto tivessemos forma de ajudar o fariamos, por isso todos os anos por altura de Natal vamos à procura destes meninos de rua. Vamos tentar de alguma forma tornar o seu Natal mais bonito, mais quente, mais doce.

A minha filha cresceu e hoje é ela que trata disto tudo. Digo sempre que é ela a culpada desta tradição, e é, porque não houve ano nenhum que não tivesse sido ela a primeira a falar no assunto assim que Dezembro espreita no nosso calendário...

 

Texto de ficção para a "Fábrica das Histórias"

Autor: Cláudia Moreira

 

 

 



publicado por magnolia às 00:26
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008
Final de final de semana...

Venho só aqui contar o finalzinho do fim-de-semana prolongado. O principio e meio já conhecem e..não foi grande coisa.

Segunda-feira, feriado, depois de dormir bastante e de termos conferenciado (foi mais eu tê-los obrigado quase aos berros a sair de casa comigo) entre os três o que fariamos nesse dia, lá decidimos (mãe, eu vou, mas tens que me comprar pipocas no cinema) que iriamos ver o Sino gigante dos Aliados, patinar no gelo (falso) e depois Madagascar no cinema.

Eles adoraram a patinagem! Claro que nenhum deles sabe patinar, portanto estiveram mais vezes no chão do que em cima dos patins! Ainda me ri um pedaço com os trambolhões (tralhos na linguagem do André) do pessoal que lá andava! Tudo gente que nunca se tinha posto em cima de um par de patins. Eles bem queriam que eu fosse, mas depois quem é que segurava na minha carteira?!

Depois os insulfláveis. O andré já se acha grande demais e não foi (foi tudo vergonha de teen porque até eu fiquei com vontade de ir para lá dar uns pinchos!!)  mas a Ana aproveitou bastante! Vinha de lá completamente exausta. O sino era giro, mas não me causou tanto impacto como a descrição que li na net.

Depois fomos rumo ao Norteshopping onde além de encher a barriga de pipocas docinhas, também apanhamos uma barrigada de rir! Sem duvida que o meu preferido é o MelmanJ Adoramos o Fufi do Alex e amei o romance entre a Gloria e o Melman... e continuo a achar que o Julien fuma alguma coisa que não devia... em suma, gostei muito do Madagascar 2. E os meus piolhos também gostaram muitoJ

E pronto, é Natal e no Natal há luzes, cinema, pipocas, circo, festas, alegria!

Para a semana será Circo, festa do Hip-Hop e...nem sei mais o quê.....tenho de ver a agenda dos miudos que têm uma vida socail vinte vezes mais activa do que a minha!

 

 

 


sinto-me: azulinha

publicado por magnolia às 22:24
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Uma boa acção

imagem retirada da net

 

Sentada na minha velha poltrana ouço a música que me derrete a alma. Faz parte de um dos filmes das minha vida. Canta-a Josh Groban e chama-se “Cinema Paradiso”. Como sempre que ouço esta música uma lágrima teimosa desce pela minha face e molha-me os lábios envelhecidos. É dezembro e está frio. A lareira acesa emana um calor convidativo e por isso deixo-me estar por ali, ouvindo música e lendo os meus livros tão velhinhos como eu. O josh continua a cantar e eu sinto o meu coração tão apertadinho como se alguém muito forte e musculado  me desse um abraço. Pela cortina entreaberta vejo nevar.

Levanto-me a custo, doiem-me as costas e já não consigo endireitar-me. A velhice chegou e não mais arredou pé. Sinto-a em cada osso, em cada articulação, em cada ruga e até na minha memória, antes tão fresca e agora tão esquiva. Afasto a cortina e lá fora neva, já está tudo branquinho e em breve o limpa-neves terá que passar por aqui.

É Dezembro e neva. E sempre que é Dezembro e neva eu não consigo deixar de reviver todos os momentos passados naquele Natal fantástico em que tudo aconteceu. Fecho os olhos e estou lá, com vinte anos e um sorriso nos lábios, força nos braços e muita vontade de mudar o mundo. E foi isso mesmo que fizemos naquele Natal, mudamos um bocadinho o mundo.

Estava frio, muito perto dos zero graus e tinha nevado imenso na noite anterior. Estavamos todos na brincadeira na neve atirando bolas uns aos outros quando atingimos sem querer alguém que ia a passar. A pessoa cambaleou e caiu. Todos nós ficamos a espera de ver a pessoa levantar-se e talvez ralhar connosco, mas nada acontecia, a pessoa continuava ali, caida no chão. Aproximamo-nos e vimos que era uma mulher de idade indefinida, coberta de trapos e cheia de frio. Ajudámo-la a levantar-se e vimos que tremia. Estava sem força para se levantar. Pedimos descupa e a pobre senhora em vez de ficar zangada pediu desculpa e voltou-nos as costas para ir embora. Depois de dois passos voltou a cair. Levamo-la para casa dos meus pais e juntamo-nos à lareira a beber um chá bem quente. A mulher não conseguia dizer nada, estava calada e continuava a tremer. Foi só uma hora depois que recuperou um pouco as cores e foi capaz de dizer algumas palavras. Ficámos então a saber que não tinha familia, nem casa, nem emprego, vivia perto da ponte, longe dos olhares da sociedade juntamente com outros sem-abrigo na mesma situação. O meu coração parecia saltar do peito ao ouvir aquela senhora a falar. Disse-nos que tinha sessenta anos e ficara sem trabalho perto dos cinquenta e que depois já ninguém a quisera empregar e o unico filho vivia longe e não queria saber dela. Por isso quando as prestações da casa começaram a ficar muito atrasadas puseram-na na rua e ela passara uma noite na rua, chorando, duas noites na rua, chorando, três noites na rua, chorando e que até hoje era rara a noite em que não tivesse chorado. Depois disse que no sitio onde costumava dormir viviam lá mais vinte pessoas nas mesmas condições. Contou-nos também que tinham acabado de perder um amigo e que não os tinham deixando vê-lo. A ambulância levara o homem sem nome de quase oitenta anos e nunca mais o viram. Nesta altura ela chorava e eu também. Estavamos todos calados, lembrando as nossas casas confortáveis e as nossas familias carinhosas. A mulher agradeceu muito e foi embora. E nós ficamos quietos, sem saber o que dizer áquela mulher, não a poderiamos deixar ficar, não tinhamos dinheiro, nem trabalho para lhe oferecer. Foi um momento de grande tristeza, já ninguem quis brincar mais na neve, nem sequer sair. Estavamos todos deprimidos com o que tinhamos ouvido. Depois nessa noite não fui capaz de dormir, vendo na minha mente as pessoas a dormirem debaixo da neve, tremendo de frio e cheias de fome. Já via a senhora a ser levada pela ambulância para a morgue e ninguém para a reclamar.

No dia seguinte levantei-me cheia de olheiras, mas determinada a ajudar aquelas pessoas. Falei com os meus pais e tive o apoio deles na minha ideia, reuni com os meus amigos e todos aceitaram, por isso metemos mãos à obra, obra que haveria de ajudar aquelas vinte pessoas, não só naquele Natal, mas para o resto dos seus dias.

Andamos pela cidade inteira, pedimos comida, cobertores, pedimos artigos de higiene, pedimos a cada familia que deixasse uma daquelas pessoas tomar banho e comer uma refeição decente uma vez por semana. Muitas pessoas nos fecharam a porta na cara perante tal pedido, mas muitas pessoas sentiram que era uma obrigação ajudar quem necessitava. No resto dos dias os nossos novos amigos tinham agora cobertores para fazer face ao frio. Também fomos aos grande hipermercados e pedimos uma ou duas tendas grandes para não ficarem debaixo da neve que insistia em cair todas as noites nesse ano. Estas foram as nossas primeiras e mais simples acções. Depois vieram as mais complicadas. Obrigamos, esta é mesmo a palavra certa, obrigamos o presidente da Câmara a receber-nos, queriamos que visse a possibilidade de arranjar casas para estas pessoas. Para algumas seria fácil, como já tinham alguma idade, podiam ser acolhidas num lar para idosos. Se uma destas pessoas fosse lá sozinha, não seria possivel porque não tinham ganhos, mas nesta altura já tinhamos cobertura mediática, em grande parte devido aos nossos conhecimentos no meio jornalistico, e o presidente não pôde deixar de ajudar para não perder votos nas próximas eleições. Para as mais novas que ainda não tinham idade para a reforma, foi-nos prometida uma solução, mas que tardou em chegar, por isso fomos nós proprios à procura dela. Pensamos que nada melhor para estas pessoas do que serem úteis de alguma forma, por isso levámos estas pessoas a fazerem pequenos trabalhos para outras pessoas como limpar a neve, cortar sebes, limpar terraços e pátios, carregar compras. Sempre sob o nosso olhar atento para que as pessoas não se sentissem com coragem para recusar ajudar. Aos poucos todos se foram habituando à presença destas pessoas. Pouco depois algumas delas que viviam mais confortavelmente arranjaram-lhes trabalhos simples, como limpar lojas e cafés ou lavar louça em restaurantes. Nesta altura já era do conhecimento geral esta campanha para ajudar os sem-abrigo da ponte. O presidente finalmente arranjou uma casa, que embora não muito grande, poderia abrigar todos do frio e da neve. Uma parte da renda pagava a Câmara e a outra pagavam eles mesmos com o dinheiro que iam fazendo nos seus novos trabalhos. A casa ficou pronta a habitar no dia 23 de dezembro e no dia 24 de dezembro foi lá que fizemos a consoada. Cada um de nós levou comida e um presente, além da familia. A casa era demasiado pequena para tanta gente, mas na mesa, nos sofás, no chão, toda a gente arranjou um lugarzinho para comer. O calor não faltou e o bolo-rei tambem não. Mas o que mais se viu naquela noite foram sorrisos. Lágrimas também, mas de felicidade. Depois disso, todos os anos nos encontravamos para celebrar esta data. Passamos todos a ser uma grande familia e de cada vez que perdiamos uma destas pessoas perdiamos um ente muito querido. E cada uma delas recebeu um funeral digno, simples mas digno a que nenhum dos restantes faltou.

Hoje resto eu e mais dois deste grupo maravilhoso de amigos. Um deles é meu marido. O outro é o nosso amigo mais querido e há-de vir aí pelo Natal para consoar connosco. Olho neste momento pela janela  e peço a Deus que olhe pelos mais desafortunados, que dê coragem e força  a quem melhor pode para mudar o mundo. Que não desampare os pobres, os solitários, as crianças e os velhos. Todos eles precisam de uma mão amiga e não há época melhor do que o Natal para fazer uma boa acção.

 

 

 

Texto de ficção escrito para a "Fábrica das Histórias"Autor: Cláudia Moreira

 

 

 

 

 



publicado por magnolia às 01:10
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
O Natal vem aí…

imagem retirada da net

 

 

… e como para todos os pais divorciados é uma altura complicada. Este ano é quarto que passo já separada. No primeiro ano o pai dos meus filhos ainda veio passar connosco. Veio jantar a casa dos meus pais como normalmente. Nos seguintes têm ficado comigo. Ele sabe que os miúdos adoram passar em casa dos meus pais. Lá é sempre tudo muito à vontade, eles já estão habituados às tradições, à comida, gostam de ficar ao pé do fogão de lenha quentinho a desembrulhar as prendas, numa grande algazarra, entre laços, papéis de fantasia e muita gargalhada. Agora estão muito mais crescidos, mas costumavam ser sempre quatro miúdos, entre os meus filhos, o meu sobrinho e o meu irmão.

Este ano, à semelhança dos anteriores perguntei ao P. se queria passar com eles e mais uma vez me disse que ficavam comigo. Eu apesar de ter ficado felicíssima insisti para que eles fossem passar com ele, mas ele manteve a opinião de que era melhor passarem comigo.

Confesso que fiquei aliviada, não me estava a imaginar não estar com os meus filhos na ceia de natal, não me deitar com eles, não acordar com eles, não partilhar com eles a abertura das prendas e toda a alegria natalícia que se partilha só e apenas naquela noite. No entanto também me dói pensar que ele não estará com os filhos. Pergunto-me se ele abdica de estar com os filhos não só por achar que eles ficam mais contentes, mas também porque sente que lá não é efectivamente o lar dele e portanto também não é o deles…

Quando disse à Ana ela até pulou de alegria! E é tão bom vê-los pular de alegria, com um sorriso de orelha a orelha, com todo o entusiasmo que só as crianças são capazes de demonstrar.

E pronto, agora vou começar a planear tudo de acordo com a boa noticia!

 

 


sinto-me: contente

publicado por magnolia às 12:09
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...e mais ainda...
Cláudia Moreira

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