Falar sobre tudo e mais alguma coisa
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Filhos do divórcio

<input ... >Há uns dias atrás a minha filha chorou. Não me vou esquecer tão cedo porque chorou de mágoa por não ter os pais juntos. Nunca pensei que tanto tempo depois este assunto a afectasse assim. Mas afecta. Ela sabe que eu faço de tudo para ela estar com o pai, mas também sabe que ele nem sempre de faz tudo para estar com eles…e só tem nove anos. Eu tentei compor as coisas, mas tive uma resposta sofrida sobre eu não saber o que custa porque sempre tive pai e mãe juntos. Mal ela sabe as vezes que desejei não ter…

Tenho pensado muito nisto tudo. Já se passaram quatro anos desde o meu divórcio, mas as feridas ainda cá estão, seja em mim, seja nos filhos. Tentei encontrar dentro de mim algum arrependimento, mas não fui capaz. Sei que fiz o melhor por todos nós. Nenhum filho é feliz tendo os pais sempre de mal, nenhuma mãe consegue fazer os filhos felizes estando perfeitamente infeliz. Se sinto tristeza por saber que os privei da presença constante do pai? Sim, sinto. Mas às vezes temos que escolher o menor dos males. E no nosso caso foi o divórcio. Eles vêem o pai regularmente de quinze em quinze dias. No meio sentem saudades. É muito tempo sem ver alguém de quem se gosta tanto. Mas ele também não procura mais que isto…e eu não posso fazer mais. Tenho consciência que tenho feito tudo o que está ao meu alcance para promover os encontros entre eles.

Portanto, o que fazer para minorar o sofrimento dos meus filhos? Não sei bem. Para já limito-me a estar com eles o mais que posso e a mimá-los muito. Lembro-lhes que o pai gosta deles apesar da ausência. Explico o que se passa à volta deles. Mostro casos de miúdos que não tem pais de todo.  Levo-os a ver o pai sempre que posso. E acima de tudo, dou-lhes todo o amor de que sou capaz.

Mas a pergunta fica: serão felizes estas crianças filhas de divórcios? Não apenas as minhas, mas todas. Serão felizes?

 


sinto-me: preocupada

publicado por magnolia às 00:02
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30 comentários:
De Sancha a 22 de Janeiro de 2009 às 00:44
Olá, sou mãe divorciada, tenho um menino de 9 anos, a pior coisa que fiz foi adiar a verdade tal e qual como ela é, só arrastamos e prolongamos a dor que acaba por ser inevitavel. Não sei se a tua filha é uma criança com maturidade, o meu filho tem e ía percebendo as coisas...no ano passado sofreu muito e foi muito dificil porque resolvi ser o mais honesta possivel com ele e apesar de ter sido dificil durante uns meses, agora está a ficar muito melhor a nivel emocional, já deixou de sonhar com o voltar a ter os pais juntos, conhece melhor a mãe e o pai, entende a separação e ele próprio acha que está melhor assim...
Por isso o conselho pessoal é dizer a verdade pura, com todo o carinho porque eles entendem e doutra forma fazem "filmes" que apenas os prejudicam ainda mais.
Amo o meu filho, respeito-o como ser humano que é, e, assento este amor numa relação verdadeira e aberta, acredito que só assim ele possa confiar sempre em mim e contar comigo,,,
Não adies o que tens para dizer mas faz-lo com carinho e seriedade.
O pai se não procura é porque não tem grande coisa para lhe dar, não achas? De que serve ter muitos momentos dessa companhia se for preenchido com vazios? Se o pai tivesse algo para lhes dar (amor, tempo, atenção, etc...) procurava-os mais, não vale de nada ter uma hora cheia de nada e os filhos acabam por sofrer ainda mais, porque criam expectativas que não são correspondidas. Esta é a minha experiencia que se vai ajustando ao fim de 6 anos....
Desculpa a invasão ao teu espaço e a forma frontal como abordei o assunto, não interpretes mal.

Adeus


De magnolia a 22 de Janeiro de 2009 às 23:27
Olá Sancha,

Não precisas pedir desculpa pela forma como abordaste o asunto.´É sempre bom ouvir outras opiniões, outras vivencias, outras formas de ver os problemas. Eu por vezes penso isso tudo que dizes, e às vezes até tenho um desabafo ou outro com eles quando estou mais nervosa, mas regra geral custa demais que eles percebam que o pai não os procura muito. Ele diz sempre que nada está à frente dos filhos e que os adora, mas então, como pode estar quinze dias sem ouvir a voz deles? Saber deles? Não entendo isso e muitas vezes apetece-me desistir de estar sempre a trás dele lembrando os dias das visitas, lembrando as datas importantes, lembrando que é preciso falar da escola, etc... mas por fim acabo sempre por fazer tudo isto, para poupa-los ao sofrimento...não sei se faço bem ou mal, sei que o faço com a melhor das intenções...

Obrigada pelo testemunho, vou pensar bem em todas as tuas palavras.

Beijnho


De Sancha a 22 de Janeiro de 2009 às 23:42
Já fiz isso tudo igualzinho! e doía-me sentir como era possivel amar o filho e estar afastado tanto tempo sem necessidade de falar, de saber, de mimar...Agora entendo, mesmo sendo dificil de aceitar, o amor que o pai sente em nada se compara ao amor que a mãe sente (eu). O pai está bem e só quando se sente mais sozinho se lembra do filho...Que amor é este? Este tipo de amor faz bem a alguem? São pessoas ôcas....
Já agora um conselho: quando desabafares não o faças por estar nervosa, fala com eles quando estiveres calma e mostrar-,lhes a verdade é uma forma de respeito. Não tens de dizer coisas feias do pai nem pô-los contra ele, nem deves! Mas eles têm o direito de saber a verdade contada por alguem que os ama e que lhes mostra a verdade com carinho...Pensa nisso.
(isto sou eu a falar, não estou a ordenar nem a mostrar caminhos, só falar, conversar, ok?)
Beijinhos


De magnolia a 23 de Janeiro de 2009 às 18:41
Doi mesmo muito pensar que o pai deles não mostra que gosta deles....às vezes até penso que doi mais a mim que a eles. Gostava de aceitar isso como tu aceitas agora. Já passaram 4 anos e eu continuo inconformada...já me tenho tentado a desistir de insistir com ele para que mude de comportamento, mas depois olho os meus filhos e não sou capaz... afinal ele não muda nunca....

Mas vou pensar no que disseste, quem sabe uma mudança de atitude faz bem a todos...

Beijinhos


De deirdre a 22 de Janeiro de 2009 às 17:31
Olá,
também eu sou filha de pais separados, e embora tenha a consciência que eles e nós estamos melhores assim, há sempre um sentimento de infelicidade, sobretudo quando vemos outros pais que se dão muito bem.
Ainda assim, a maior mágoa que tenho é que sempre senti que o meu pai além de péssimo marido, nunca foi um pai presente, em todo o sentido da palavra. Nunca sabia de nada da escola, nem horários, não falava conosco... no fundo nunca que conheceu a sério. Mas sei que tinha orgulho em mim. E eu ficava feliz ( embora incomodada) quando ele insistia em mostrar os meu quadros a toda a gente. " A minha filha pinta." Dizia ele... Enfim, são mágoas que ficam mesmo que passem muitos anos.

Mas em resposta á pergunta: eu fui feliz ( mesmo nos tempos mais conturbados) e hoje sinto e sei que sou feliz.

Não desanimes, sê simplesmente a maravilhosa mãe que és.

Um beijinho





De magnolia a 22 de Janeiro de 2009 às 23:33
Obrigada Caroxinha,

Foi bom ler este teu testemunho, sem duvida que foi. Quer dizer que para os meus filhos também há esperança. O pai deles diz que os ama, mas também não faz a minima ideia do que se passa na vida deles, não sabe nada de nada, nem pergunta, nem mostra interesse nenhum...e os filhos adoram-no e tenho receio que sintam muito mais isto tudo do que dizem. Mas se ha casos de filhos que sobrevivem e ainda dizem que sim, que foram felzes, eu fico esperançada queos meus também sejam, apesar de tudo...

Obrigada pelo apoio. :)

Um beijinho grande


De agoradigoeu a 24 de Janeiro de 2009 às 07:36
Olá Claudia,
Sem tirar minimamente o valor á figura de pais enquanto pais, e da sua necessária referência para os filhos. Para mim, e acima de tudo, está o amor, o carinho a afectividade, que lhes temos de dar, para a sua auto-estima, para a sua confiança e aí as palavras e uns beijos de mãe, são ouro.
Para mim o segredo é mimos, mimos, mimos...e mimos.
E só me vou arrepender de não ter dado mais mimos.
um beijo
norberto


De magnolia a 24 de Janeiro de 2009 às 16:39
Olá Norberto,

Se a resposta for mimo, então os meus não terão probelmas, porque eu encho-os de mimos, de carinho, de amor. Espero que tenhas razão e isso chegue para aliviar um pouco a ausencia do pai..

Espero que esteja tudo bem contigo meu amigo,

Um beijinho


De LFV a 21 de Abril de 2009 às 15:10
Viva, permitam-me que "entre" nesta conversa. Estou num periodo de divorcio e como pai, o que mais me está a custar é o impacto que tal possa criar na minha filha.
A minha relação acabou com a mãe da mesma, estamos ambos preocupados com a nossa filha e neste momento por mais que queira ver e estar com ela, é-me dito para respeitar nestes primeiros tempos para ela se habituar à mudança, mas por mim, estava e via a minha filha todos os dias, mas nos dias em que oficialmente posso estar irei dar-te toda a atenção, mimos e dedicação.
Ela é a menina mais linda e doce deste mundo, sempre foi mto agarrada aos dois e esta mudança irá por certo criar muita confusão na sua cabecinha.
Quanto mais leio sobre os efeitos do divorcio nas crianças, mais partido por dentro fico, gostaria somente de ouvir da vossa parte o que fizeram para atenuar os efeitos que este tipo de decisão dos adultos tem nas crianças.
Para quem ainda é casa, só deixo aqui uma sugestão, nada na vida vale ou paga as lagrimas dos nossos filhos, por mais motivos que possam ter, tenham calma e nao estraguem aquilo que um dia vos uniu, se são pais e mães, antes de dizerem seja o que for ao outro, pensem no que vos uniu e no que nasceu da vossa relação.


De Anónimo a 9 de Novembro de 2011 às 13:24
Olá, sou filha de pais divorciados e já lá vão 27 anos...custa sempre, senão ainda hoje não sofria com isso....


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Cláudia Moreira

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