Deus encontrou-me na berma da estrada, quando me sentei, quebrada, para descansar. As minhas lágrimas, grossas, caiam-me no vestido que eu sabia ser vermelho, mas que eu não via senão cinza e deixavam grandes marcas redondas mais escuras. Sucumbi ao cansaço extremo da caminhada que fazia e deixei-me cair naquela beira de estrada perdida do mundo. Olhei o céu mas o não vi azul, depois olhei as copas das árvores e não as vi verdes. Também não senti o cheiro das flores silvestres que por ali cresciam livres e despreocupadas da vida. E os pássaros, criaturas livres que esvoaçavam por ali, não os ouvi também. Nada parecia bulir ao meu redor. O cinzento pigmentava tudo e a minha alma era da cor das rochas vulcânicas.
Deus disse-me:
- Que tens mulher?
- Estou cansada da minha vida… - respondi eu a custo.
E Deus que tudo vê, disse-me então.
- Sei de que precisas. Vou dar-me uma oportunidade única na vida. Uma página em branco onde poderás reescrever tudo!
Eu, que mal conseguia sustentar-me de pé, agradeci e pela primeira vez em muito tempo, esbocei um sorriso. Pensei na possibilidade de começar tudo de novo e em como seria apagar todos os erros cometidos, excluir pessoas que me magoaram.
Então de repente, como por magia, tudo ficou branco e silencioso à minha volta. Não havia estrada, nem muros, nem árvores, nem céu, nem pássaros. Nada. Apenas o vazio. Na minha mão uma folha e um lápis. Pensei então que o ideal seria começar do inicio, do dia em nasci.
Ia para escrever que tinha nascido de pais ricos quando me apercebi que então não poderiam ser os meus. E eu não queria outros pais, queria aqueles que tanto me haviam ensinado e amado. Então escrevi que queria os mesmos. Depois pensei nos meus irmãos e percebi, mesmo na imensidão branca onde estava, que gostava tanto deles que me seria impossível nunca mais os ver. Também não queria outros irmãos. Então escrevi que queria os mesmos pais e os mesmos irmãos. Depois pensei em andar numa escola diferente onde pudesse fazer amigos, mas depois pensei com saudades na primeira vez que me sentei num dos bancos da escola, que depois os meus filhos haveriam de se sentar nos mesmos, na professora que sempre me elogiou e pensei que não queria outra escola, nem outra professora. Então escrevi que queria os meus pais, os mesmos irmãos, a mesma escola e a mesma professora. Depois pensei que não queria ter tido o mesmo marido mas rapidamente entendi que mesmo no meio da tristeza houveram coisas boas e filhos maravilhosos que com outro marido não poderiam de maneira nenhuma ser os mesmos. Então na minha história nova ficaram os mesmos pais, os mesmos irmãos, a mesma escola, a mesma professora, o mesmo marido.
Foi nessa altura que uma saudade dolorosa invadiu todo o meu ser e só pensava que queria abraçar os meus filhos, apertá-los nos meus braços, beijá-los muitos, tê-los perto de mim, carne com carne. Pensei que gostaria de partilhar um abraço com aquele que foi meu marido, agradecer pelos bons momentos e perdoar os menos bons. Senti uma grande vontade de voltar aos bancos da escola, de voltar a aprender coisas novas, de ter alguém que me elogiasse e incentivasse a ser sempre boa em tudo o que fizesse. Apetecia-me abraçar os meus irmãos e lembrá-los que os amos muito. E ao mesmo tempo queria tanto agradecer aos meus pais por me terem feito quem sou, pela educação que me deram, pelos valores que me incutiram, pelo amor, por todo o amor...
Por fim, pensei nas tardes solarengas de verão da minha infância, do céu tão azul como nunca mais vi outro, das nuvens com formas que me faziam voar a imaginação para lugares longínquos, das flores amarelas que eu juntava em colares e pulseiras e coroas de princesa, nas amoras que colhia nos caminhos velhos e me sabiam pela vida…
Por fim, o pensamento mais importante de todos entre todos, pensei no dia de nascimento dos meus filhos, na primeira vez que os vi, nus, indefesos, frágeis, enrugados, pequeninos. Pensei na felicidade que me encheu o coração, na promessa intrínseca de os proteger e amar até ao fim da vida. Pensei na alegria de ser mãe, de ter criado um novo ser, perfeito e belo como mais nenhum. Agradeci ter sido tão bafejada pela sorte ao conceder-me o privilégio de ter tido aqueles filhos, os meus filhos.
E foi mais ou menos por aqui que os meus lábios formaram um sorriso aberto incontrolável e foi mais ou menos por aqui que abri os olhos e me senti dorida da pedra dura onde me tinha sentado e vi o céu azul, as árvores verdes, os pássaros a cantar, os pequenos dente-de-leão amarelos que cresciam ali mesmo na berma da estrada e que eu podia tocar se quisesse. E o vestido. O vestido vermelho ainda húmido das minhas lágrimas…
Levantei-me e não senti cansaço nenhum. Segui caminho como se tivesse apenas começado agora a caminhar. Senti que tinha forças para caminhar até ao fim do mundo se preciso fosse. Senti que estava viva e que, acima de tudo, queria continuar viva por mim, e por todos aqueles que fazem parte da minha vida, e farão.
Na verdade, tenho de dizer a Deus quando o encontrar de novo, que não tenho necessidade nenhuma de uma página em branco…
Texto de ficção escrito para a Fábrica de Histórias por Cláudia Moreira
Depois de uma semana mázinha (zona) que está a terminar com o carro avariado, tipo cereja em cima do bolo...apetecia-me uma mudançazita.... Só não sei o quê....o cabelo já cortei, não posso exagerar ou acabo careca....não tenho tempo(€) para andar agora a mudar móveis na casa nem a pintá-la...o blog ainda o mudei há dois meses....humm.....afinal acho que a minha vida é muito limitada....só consigo lembrar-me de três coisas que posso mudar!!!!!!![]()
Então é assim. Eu gosto dos livros do Dan porque me farto de aprender coisas novas. Nunca na minha vida (já um pouco longa, já devo ter passado de metade dos anos que me calharam em sorte!!) tinha imaginado que havia um tanque de privação sensorial e muito menos que havia liquido respirável. Também me farto (não é que me farte mesmo, atenção:)) de aprender História, neste caso da cidade de Washington DC, e isso é muito mais que bom! De resto...é mais do mesmo. Mas lê-se muito bem porque a escrita é simples e fluida.
Cunhadinha, não to vou devolver já porque emprestei-o à minha mana!! Eu sei que não te importas...![]()
Sinopse
Washington, D. C.: Robert Langdon, simbologista de Harvard, é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio. Contudo, pouco depois da sua chegada, é descoberto no centro Rotunda um estranho objecto com cinco símbolos bizarros.
Robert Langdon reconhece-os: trata-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos.
Quando Peter Solomon, eminente maçom e filantropo, é brutalmente raptado, Langdon compreende que só poderá salvar o seu mentor se aceitar o misterioso apelo.
Langdon vê-se rapidamente arrastado para aquilo que se encontra por detrás das fachadas da cidade mais poderosa da América: câmaras ocultas, templos e túneis. Tudo o que lhe era familiar se transforma num mundo sombrio e clandestino, habilmente escondido, onde segredos e revelações da Maçonaria o conduzem a uma única verdade, impossível e inconcebível.
Trama de história veladas, símbolos secretos e códigos enigmáticos, tecida com brilhantismo, O Símbolo Perdido é um thriller surpreendente e arrebatador que nos surpreende a cada página.
O segredo mais extraordinário e chocante é aquele que se esconde diante dos nossos olhos…
Cheguei à conclusão que não tenho nenhum. Sou mesmo uma triste.
Todo pasa y todo queda,
pero lo nuestro es pasar,
pasar haciendo caminos,
caminos sobre el mar.
Nunca persequí la gloria,
ni dejar en la memoria
de los hombres mi canción;
yo amo los mundos sutiles,
ingrávidos y gentiles,
como pompas de jabón.
Me gusta verlos pintarse
de sol y grana, volar
bajo el cielo azul, temblar
súbitamente y quebrarse…
Nunca perseguí la gloria.
Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar…
Hace algún tiempo en ese lugar
donde hoy los bosques se visten de espinos
se oyó la voz de un poeta gritar
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”
Golpe a golpe, verso a verso…
Murió el poeta lejos del hogar.
Le cubre el polvo de un país vecino.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”
Al alejarse le vieron llorar.
Golpe a golpe, verso a verso…
Cuando el jilguero no puede cantar.
Cuando el poeta es un peregrino,
cuando de nada nos sirve rezar.
“Caminante no hay camino,
se hace camino al andar…”
Golpe a golpe, verso a verso.
Poema de António Machado

Outras IDEIAS minhas
Ideias de outros que eu gosto de ler
- As conversas são como as cerejas
- As palavras que nunca te direi