Fazer o Caminho de Santiago é uma experiência única e maravilhosa. Já tenho falado aqui sobre o assunto noutros textos e acho que consigo passar o que me vai na alma no momento em que faço o Caminho e nos momentos pós-Caminho.
Hoje vou falar (acho que nunca o fiz, se falei, perdoem-me a redundância) de uma outra forma de fazer o Caminho de Santiago: estar no Albergue e de tentar receber bem quem está em peregrinação.
Antes mesmo de ser peregrina com kms nos pés, já o era de coração. Ia para o Albergue e assistia, feliz e um pouco "invejosa", às conversas sobre os Caminhos que os outros já tinham feito. Eu ouvia e imaginava o dia em que eu mesmo iria pôr os pés ao Caminho. Imaginava como seria e o que sentiria. Comecei por ser hospitaleira no Albergue SPR do Caminho Central Português antes de ser peregrina. Digo isto assim, mas já me garantiram que o meu Caminho como peregrina começou no dia em que desejei fazer o Caminho e me juntei aos voluntários do Albergue. Estar no Albergue no momento em que os peregrinos chegam e precisam de uma palavra amiga e de um sorriso, além do carimbo e de uma cama, é uma outra forma de agradar ao apóstolo. Vê-los chegar, recebê-los, cansados, pés magoados, mas muito felizes por terem chegado ao final da etapa é muito bom. E saber que com o meu sorriso ou com as minhas palavras, muitas vezes poucas por causa da barreira das línguas, faço um pouco de bem ao próximo, faz-me feliz.
O convívio com os peregrinos, oriundos de culturas tão diversas, é muito enriquecedor. Aprendem-se novas línguas, aprendem-se outras vivências e outros costumes, aprendem-se outras formas de ver a vida. E rimos e choramos e emocioná-mo-nos com essas diferenças. Por vezes partilhamos a mesa e esses momentos partilhados jamais serão esquecidos. Uns mais que outros, todos os peregrinos que vão passando por lá ficam na memória.
Ajuda a que seja tão especial que seja este Albergue, porque este Albergue tem um ambiente único. Noutro, seria muito bom poder praticar este voluntariado, neste é simplesmente fantástico. Um dia, se tiverem oportunidade de fazer o Caminho Português, e ao passar lá, irão perceber do que falo.
Sempre que posso passo por lá, mesmo que não seja o meu dia de “albergar” porque me faz bem. Ajuda a esquecer a vida malvada que levamos no dia a dia. Ajuda a perceber que para lá dos problemas ainda há coisas que valem a pena.
Não me alongo mais, acho que já passei a ideia geral. Este fim-de-semana vai ser um desses fins-de-semana especiais. Mesmo sem a minha voluntária pequenina, (que continua no pai) que me costuma acompanhar sempre, vai ser muito bom!

Outras IDEIAS minhas
Ideias de outros que eu gosto de ler
- As conversas são como as cerejas
- As palavras que nunca te direi