Falar sobre tudo e mais alguma coisa
Terça-feira, 28 de Outubro de 2008
Sessenta e uma caixinhas de chocolate...


imagem retirada da net


 


 


Ela ouviu bater à porta e correu até lá na esperança de descobrir à porta a sua amiga de infância que viria visita-la por esses dias. Mas não era, aliás, não viu ninguém.


- Humm…estranho…


Já ia a fechar a porta quando viu no chão em cima do tapete que diz bem-vindo, uma caixa com um laçarote vermelho. Pegou nela e com a testa franzida e muitas perguntas na cabeça abriu-a. Dentro da caixa descobriu uma caixa de chocolates suíços, precisamente os seus favoritos! Sorriu assim um sorriso imenso, como uma flor que se abre ao sol. E no entanto… estava mesmo curiosa de saber quem a teria presenteado… abriu a caixa, comeu um e com um encolher de ombros, guardou-a.


No dia seguinte estava no banho quando lhe bateram novamente à porta. Saiu da banheira a pingar agua, enrolou-se numa tolha, quase caía no chão molhado da casa de banho e correu para a porta. Ninguém.


- Mau. Já não estou a achar graça nenhuma. – Olhou para baixo e lá estava, mais uma caixa com o mesmo papel de embrulho e o mesmo laçarote.


- Mau, mau. Mas quem será esta pessoa tão misteriosa!!??? – Agora ela estava mesmo intrigada. E chateada e com frio! Voltou rapidamente para o banho mas não conseguia deixar de pensar naquilo. Ela gostava muito de livros de mistério, mas não achava graça nenhuma a mistérios na sua vida. E aquilo não lhe saia da cabeça e no dia seguinte quando chegou mais uma caixa ainda pensava nisso e durante um mês todos os dias uma nova caixa era depositada em cima do tapete a dizer bem-vindo.


Foi só no trigésimo primeiro dia que se fez alguma luz sobre o mistério. Dentro da caixa vinha também uma rosa e um bilhete. No bilhete podia ler-se uma linda declaração de amor:


 


Minha querida,


 


Foram precisos trintas dias para ter coragem de juntar aos chocolates estas palavras. Tive sempre medo…medo que te risses de mim, medo que não me levasses a sério, medo... medo de nunca mais te ver. És tão especial minha adorada Ana. És a mulher mais bela que já vi em toda a minha vida. És a mulher mais bondosa que já conheci. És a mulher mais corajosa de que já ouvi falar. És aquela que eu amo desde sempre e para sempre amarei…


 


                                                                         Para sempre teu…


 


 


Não vinha assinado!!! Era o cúmulo! Estava indignada! Tinha alguém que gostava dela e não se identificava? Ela que estava sozinha há tanto tempo? Quem era esse homem que tinha medo de se mostrar?


Durante os vinte e nove dias seguintes recebeu vinte e nove caixas de chocolates, com vinte e nova rosas e vinte e nove bilhetes de amor…


A indignação deu lugar a um sorriso, o sorriso deu lugar a muitos sorrisos, e os muitos sorrisos deram lugar a ansiedade pelo dia seguinte até chegar mais uma caixinha. Sentia-se apaixonada por um ser sem rosto, sem corpo, uma pessoa que através da leitura dos bilhetes sentia ser uma pessoa maravilhosa e sentia o imenso amor que tinha por ela. E foi depois de sessenta dias que finalmente chegou o convite para jantar. Vinha com uma caixa especial de bombons em forma de coração. Vinha acompanhada por uma rosa vermelha tão bela que parecia veludo e trazia o convite para jantar no restaurante mais romântico da cidade na noite seguinte. Ana sentiu o coração disparar! Mil pensamentos atropelaram-se na sua cabeça sobre o que vestir, como agir, quem seria que iria encontrar…


Eram quase oito horas quando chegou ao restaurante. Levava um vestido preto curto, sapatos de salto alto e apesar do Outono, um casaquinho ligeiro completava o conjunto. Estava maravilhosa! Chegou ao restaurante e disse o seu nome. Levaram-na através do restaurante até uma mesa que ficava mais ao fundo do restaurante, uma mesa que dava para um terraço virado ao mar, cortinas de organza dançavam suavemente com a brisa da noite e duas velas ardiam na mesa junto a uma rosa vermelha. E quando ela chegou quem se ergueu para a receber foi o seu colega de trabalho de tantos anos, o seu companheiro e melhor amigo, Jorge. Ela ficou atordoada por um momento, quase sem respirar, pensou em tudo o que passaram juntos, em todas as conversas que tiveram, pensou nos chocolates, pensou nos bilhetes, pensou que não sabia o que dizer… Jorge agarrou na mão dela, beijou-a e fez com que se sentasse, sempre a olha-la nos olhos. Ainda não tinham passado dois minutos quando Ana compreendeu que já o amava também, que aquilo era mesmo a realização dos seus sonhos. Amava o seu melhor amigo e o seu melhor amigo amava-a a ela. Nada poderia ser mais perfeito: o amor e amizade de mãos dadas para toda a vida!


 


 



 (texto de ficção escrito por mim para a Fábrica de Histórias)


 



publicado por magnolia às 12:17
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2 comentários:
De mariana a 29 de Outubro de 2008 às 11:50
Adorei o texto amiga, lindo lindo, continua com essa imaginação e a oferecer-nos textos maravilhosos, beijokas e bom resto de semana.
PS- desculpa as minhas poucas visitas espero ke esteja tudo bem contigo...beijokas grandes.


De magnolia a 29 de Outubro de 2008 às 14:43
Olá querida Mariana!

Já tinha saudades tuas!

Ainda bem que estás bem, já estive a ler o teu post, tens que tratar muito bem de ti e do novo bebé!

Obrigada pelos elogios aos meus textos, és uma querida!

Muitos beijinhos!


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