Falar sobre tudo e mais alguma coisa
Quarta-feira, 11 de Maio de 2011
Estados oníricos

(da net)

 

 

 

Quando tinha mais ou menos quinze anos fiz novas amizades num grupo de pessoas, estudantes universitários na sua maioria, que paravam aqui num cafezinho da minha cidade. Este grupo de pessoas eram a meu ver super interessantes porque tinham ido a sítios que eu nunca tinha ido e liam livros que eu não lia e tinham visto filmes que eu não tinha visto e vestiam coisas que eu não vestia e tinham gestos que eu não tinha e sabiam uma infinidade de coisas que eu não sabia. Pude juntar-me a eles assim sorrateiramente devido ao meu 1.73 e peso a condizer e assim parecer que tinha uma idade que não tinha e ser aceite no meio deles.

 

Bem, isto tudo para dizer que me deslumbrava poder estar entre eles e sorver avidamente tudo o que diziam e faziam. Foi também por esta altura que alguns deles formaram o Cineclube de Vila do Conde (que foi o inicio dos inícios do Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde) do qual eu fui uma das primeiras sócias, tornando-me então uma cinéfila de verdade.

 

Vi filmes de Luc Godard, Federico Fellni e  Woddy Allen entre muitos outros e tornei-me então um pouco mais culta, talvez demasiado culta até para a pouca idade que tinha. Também tomei nota mentalmente de autores que me pareciam ser os de culto e assim li avidamente Kundera, Kafka, Dostoevsky e muitos, muitos outros. Era das mais assíduas requisitantes da biblioteca pública!

 

Foi mais ou menos pela mesma altura que passei a ocupar uma boa parte do meu tempo livre a sonhar que um dia seria uma escritora de sucesso e começaria a minha carreira em Paris! Sonhava acordada que punha meia dúzia de peças de roupa numa mala e ia de comboio até Paris. Já lá, ainda na estação, perguntava a alguém onde poderia para passar a noite com muito pouco dinheiro. Indicavam-me então um bairro de quinta categoria e era lá que encontrava um quarto minúsculo e bafiento para dormir. Nessa mesma noite iria a um bar ali perto afogar as mágoas e enquanto bebia uma bebida de gente grande era abordada pelo que então viria a ser o grande amor da minha vida e que por sinal também era escritor. Depois a história podia continuar de várias maneiras:

 

Conseguia emprego como empregada num bar que seria frequentado por gente ligada às artes e trabalhava toda a noite para poder escrever todo o dia. Depois quando acabava um editor dizia-me que era uma obra-prima da literatura moderna.

 

Ou então mudava-me para o apartamento do escritor que haveria de ser o grande amor da minha vida e entre tardes de amor e noites no bar, dactilografava-lhe os rascunhos. Depois, nas horas vagas, escrevia um romance que haveria de se tornar um best-seller.

 

Ou…

Ou…

Ou…

 

 

Depois a realidade foi completamente diferente como seria de prever. Não fui viver para Paris, nem escrevi nenhum best-seller… E nem sei se já encontrei o grande amor da minha vida…se encontrei escritor não era de certeza!

 

Como costumo dizer, enquanto sonhamos fazemos uma pausa na realidade e aproveitamos esse tempo para ganhar forças para enfrentar a vida que nunca, mas nunca é fácil…

 

 



publicado por magnolia às 16:58
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2 comentários:
De geriatriaaminhavida a 11 de Maio de 2011 às 21:25

E é tão bom sonhar!
E felizmente ainda se pode sonhar sem pagar impostos.
Eu sonhava que iria ser uma grande bailarina. Engraçado , não sou nada dada a danças.
Beijinhos e que os sonhos continuem e de preferência que pelo menos alguns se concretizem.


De magnolia a 12 de Maio de 2011 às 10:46
É muito bom sonhar:) mesmo que no final não se realizem:) Claro que é bom se algum se realizar, mas enquanto sonhamos podemos sorrir:)

Se calhar até és dada a danças só ainda não sabes:)

Um beijinho**


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