No mínimo um filme muito perturbador. Ainda não digeri completamente, pelo que não opino. Certas cenas parecem-se demasiado com os pesadelos que costumo ter.
Se eu roesse as unhas já não as tinha e desconfio que nem dedos! Mãe sofre quando tem que largar as crias no mundo. As primeiras vezes custam mais. O primeiro dia do infantário, a primeira viagem de estudo, a primeira festa sem pais, a primeira saída à noite, a primeira namorada... Hoje é a vez da primeira entrevista para emprego. Apeteceu-me ir com ele para o guiar e apoiar, mas a lei da vida diz que os devemos deixar voar sozinhos quando chega a hora... por isso hoje lá foi ele, voar sozinho pelos céus aberto da vida adulta...
Já terminei o livro do Casimiro há muito tempo e, por isso mesmo, perdoem-me alguma falha no que vou dizer. Ando atrasada com estes posts de opinião sobre o que vou lendo. Não gosto nada, devo dizer, mas ando. O tempo é um safado que não estica. Parece que só custa a passar nas longas horas sentada à secretária.
Agora sobre o livro.
O Governo Sombra é um livro de cariz político, muito actual e despudorado. O próprio titulo sugere esta classificação. Embrenhei-me no livro e quase sem dar por isso estava no final. A escrita flui e o enredo também. A verdade é que se vai tentando adivinhar o final da história sem o conseguir, quase, quase até chegar às últimas páginas.
Embora seja ficção, penso que o Casimiro tentou (e conseguiu) passar uma mensagem bastante real. Ou seja, a imagem bastante realista do país em que vivemos, da nossa classe politica e do povo que somos. Fala-nos da corrupção e do poder como sendo a grande ferida da nossa realidade actual. Fala-nos do cancro do desemprego. Fala-nos da luta diária para nos mantermos à tona desta sociedade claustrofóbica. Fala-nos das fragilidades como seres humanos que somos.
Gostei imenso do livro. Gostaria que o Casimiro tivesse já outro na manga para poder ler já mais coisas dele. Claro que não consigo ficar indiferente ao facto de o conhecer pessoalmente e de nutrir por ele uma grande simpatia e amizade. Mas, tentanto abstrair-me dessa "culpa", recomento vivamente a leitura deste livro (e a compra já agora, que o Casimiro precisa de vender!!). Disfrutem de um livro com um toque de aventura, mistério, sentimento e até mesmo amor. Desfrutem de um livro escrito por um português que trava uma dura luta diariamente, escrito em português e para portugueses. Desfrutem do primeiro livro deste género literário do Casimiro e digam-lhe alguma coisa. Um autor gosta sempre de saber:)
Sinopse:
Um thriller de conspirações políticas que retrata as vidas paralelas de dois homens; Um, desempregado, com ambições de ser escritor: desistiu da vida e da procura da felicidade, reencontrando-a ao receber uma estranha mensagem de uma amiga, que lhe encomenda a escrita de um livro sobre a sua vida, conduzindo-o numa viagem obsessiva por uma realidade ficcionada sobre um Portugal secreto e sinistro desconhecido por muitos.
O outro, um político empossado à força por um caciquismo familiar. Professor de história por paixão, torna-se secretário de estado por complacência dos interesses do falecido pai. Embarcam numa odisseia mirabolante de enganos e descobertas, na busca da confirmação da existência de uma ordem secreta, os Alquimistas, cujo plano efetivo para o nosso país, consiste no controlo absoluto do seu governo, e no domínio total da vontade dos seus cidadãos.
De Nova Iorque a Bruxelas, e por diferentes locais em Portugal, um atroz destino os espera, nesta história implacável, que mistura passado e presente, cheia de suspense e completamente imprevisível.
Ando atrasada na postagem dos livros lidos...mas a verdade é que o tempo escasseia e ainda não se inventou a máquina de fazer tempo!
Hoje apeteceu-me falar da ternurinha que é este livro do Valter. O livro é sobre o amor, o carinho e a ternura que uma uma mãe nutre pelas suas filhinhas. As meninas ficam doentes e têm que ir ao hospital mas depois tudo acaba bem, como se quer. Vale muito pena ler e quem puder, comprar, porque a totalidade das vendas reverte a favor do projecto Joãozinho, do Hospital de S. João. Só já não sei se há à venda. pelo que sei esgotou logo nos primeiros dias. Bom, não é? :)
Sinopse:
O livro "Quatro Tesouros" resulta de um convite da FNAC ao escritor Valter Hugo Mãe e à ilustradora Patrícia Furtado, cuja totalidade das suas vendas reverte a favor do Hospital de São João, para a construção da nova Ala Pediátrica.
A história aqui narrada é fruto de uma visita do autor às referidas instalações e vem reforçar o facto de a saúde ser um dos pilares essenciais para a felicidade e o crescimento da criança.
A obra conta a história ternurenta de uma mãe que acompanha as suas filhas, os seus tesouros, durante os tratamentos hospitalares, mostrando como o amor que as une ajuda à rápida recuperação das três meninas.
Quando cheguei ao lugar onde queria ir, o sol estava a pôr-se por detrás duma estranha torre, muito alta e que parecia à beira de ruir a qualquer momento. Tinha caminhado todo dia por caminhos de terra batida e sem sombra e sentia-me muito cansada. A boca seca fazia-me sofrer até ao limite do suportável. Apetecia-me muito um pouco de água fresca e perguntei a um grupo de pessoas que estava ali no caminho, já muito perto da torre, onde poderia encontrar uma fonte. Olharam-me de forma estranha por breves momentos e depois continuaram a discussão. Estranhei o que ouvi porque não pareciam falar todos a mesma língua. Gesticulavam muito e pensei que poderiam bem começar a agredirem-se a qualquer momento.
Continuei o meu caminho na esperança de encontrar água e algum alimento. Não encontrei água nem alimento mas vi várias pessoas solitárias, sentadas em pedras que olhavam o céu como se estivessem sozinhas no mundo. Quando cheguei tão perto da torre que lhe poderia tocar se quisesse, fiquei abismada com a sua altura e imponência. Não conseguia deixar de me sentir pequena, minúscula, um pontinho no mundo.
Entrei, sonhando com um pouco de água. Lá dentro várias pessoas andavam dum lado para o outro como se estivessem a falar para uma multidão, mas na verdade ninguém lhes estava a prestar atenção. Falavam linguas diferentes pelo que pude perceber.
Avancei mais um pouco, esperançada em que algum deles falasse a minha própria língua. Mas não, nem uma voz falava a mesma língua que eu. Senti-me perdida ali naquele edifício demasiado grande habitado por demasiadas pessoas estranhas. Corredor após corredor, vi gente tão diferente entre si como nunca antes tinha visto. Todos falavam alto e pareciam zangados, gesticulando como se discutissem com um interlocutor fantasma.
Comecei a sentir-me demasiado assustada, demasiado aflita. Continuava com a boca seca e sentia a cabeça a latejar. Sentia-me só.
Corri. Corri o mais que pude. Atravessei corredores, salas, mais corredores e mais salas. Cheguei a becos sem saída e a varandas que não o eram. Continuei a correr. Só queria encontrar a porta e sair dali. sentia os pulmões sem ar. Sentia-me a sufocar. Mesmo assim não podia desistir de tentar sair daquele lugar confuso e assustador, por isso continuei a correr até à exaustão.
Depois, quando já achava não ser possível, encontrei uma porta que me pareceu dar acesso ao exterior. Felizmente estava certa. A porta estava entreaberta e corri até ela de mãos estendidas para num só gesto abrir e sair. A porta era demasiado pesada e bati com força na madeira grossa e rija. Nos braços surgiu uma dor lancinante do embate. Tentei abrir mais a porta para passar mas não consegui. Encolhi-me e passei pela pequena fresta da porta entreaberta. Cá fora deixei-me cair sobre os joelhos, dobrei as costas e deixei a cabeça tombar na terra. Estava para lá do limite das minhas forças. Fechei os olhos e coloquei as mãos nos ouvidos. Não queria ouvir mais nada nem ver mais nada daquele estranho lugar. Só queria dormir.
Abri os olhos. Era de manhã e eu estava na minha cama. Afinal tinha sido um sonho. E que sonho! Aliás, um pesadelo. Arranjei-me e desci até à cozinha onde o resto da minha família já estava tomar o pequeno-almoço. A minha mãe falava com o meu irmão que parecia não entender o que ela dizia. O meu pai lia o jornal e falava com toda a gente mas ninguém fazia questão de o ouvir. A minha irmã reclamava de tudo mas a minha mãe parecia não a entender e respondia coisas que não tinham nada a ver. A minha avó resmungava sozinha enquanto esperava que alguém a servisse.
Engraçado, pensei, muito parecido com o meu sonho. Não tomei o pequeno almoço, peguei numa maça e acenei um “até logo” apressado. Cheguei à escola para o primeiro dia de aulas e a primeira seria de Francês. Seca, pensei. O professor mandou-nos abrir os livros e eu suspirei.
- Meninos, para que entendam a necessidade de estudarem novas línguas vou começar por vos contar uma história. É a história da Torre de Babel.
Por Cláudia Moreira para a Fábrica de Histórias
Texto de ficção
Acho que devem todos, mas todos sem excepção, ir ao Teatro Helena Sá e Costa ver a Palmilha Dentada!
É assim, gastamos uns míseros 5 euros (que depressa estouraríamos em cafés e bolos de arroz), mas saímos de lá com uma barrigada de rir. E a pensar. E a pensar sim!, que isto de ver uma peça que faz rir também pode dar que pensar. Eu sai de lá a pensar. Ainda mais, na verdade. Entre uma gargalhada e outra a verdade é que os velhotes disseram uma grande verdade: para algo nos dar prazer é preciso que haja outro igual a nós para partilhar...
E também que temos que descobrir qual o nosso "cagador de endorfinas"!! Eu sei alguns dos meus...mas saberei o mais importante? O melhor? Ando em busca! :)
Por falar nisso...sabem o que isso é? Não? Pois também não digo...vão lá ver a peça!! :))

Outras IDEIAS minhas
Ideias de outros que eu gosto de ler
- As conversas são como as cerejas
- As palavras que nunca te direi
- O homem que queria ser luis filipe cristovão
Uma ajuda a esta minha ideia?
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